sábado, 10 de abril de 2010

Juazeiro do Padre Cícero

Juazeiro do Padre Cícero

Professor Teodoro
Fonte: http://opovo.uol.com.br/opovo/opiniao/971314.html
A pretexto de destacar a escolha de padre Cícero como padroeiro das florestas, feita pela organização ambiental Greenpeace, o jornalista e ensaísta Flávio Paiva trouxe à tona um tema que nunca deveria ter submergido: a troca do nome da cidade de Juazeiro do Norte para Juazeiro do Padre Cícero.

Como devoto de padre Cícero, quero me associar à alegria do jornalista que é também um entusiasta da figura icônica de nossa cultura nordestina, por seu reconhecimento internacional num campo em que seu destaque era pouco conhecido, o da preservação ambiental.

Muito antes de o tema virar moda e ser obrigatório na agenda mundial, padre Cícero já se empenhava na educação ambiental. Ele, nascido e vivido no semiárido, tinha antevisões como todos os profetas. Já se preocupava com a possível desertificação de sua terra, que hoje é uma triste realidade.

Padim Ciço aconselhava seus afilhados e filhos espirituais, explicando que ``a melhor maneira de manter a mesa sempre farta era unir produção responsável com preservação ambiental``.

Segundo o jornalista Flávio Paiva, padre Cícero chegou a organizar uma doutrina na tentativa de instruir seus devotos para o desenvolvimento de uma consciência ambiental.

``Ele pedia que as pessoas parassem de cortar as árvores e de caçar os animais; que não continuassem mais com as tradicionais queimadas; que fizessem manejo da criação a fim de deixar o pasto descansar; que evitassem erosão não plantando roçado vertical nas serras; que em toda casa fosse feita uma cisterna para armazenar a água das chuvas; que os riachos fossem represados de cem em cem metros para abastecer o lençol freático; que aproveitassem as qualidades das plantas da caatinga para o convívio com a seca; e que todo dia plantassem qualquer pé de árvore``.

Suas palavras assemelham-se a do patriarca Moisés, a guiar seu povo pelo deserto rumo à terra prometida. Uma terra, como foi Juazeiro, que teve no santo nordestino seu fundador e maior divulgador da cidade.

Essa iniciativa do Greenpeace em destacar padre Cícero como protetor das florestas, como padroeiro do meio ambiente, vem em boa hora. Junta-se ao movimento pela beatificação e canonização daquele que os romeiros já colocaram nos seus altares.

O apelo do jornalista Flávio Paiva encontrou ressonância na comunidade juazeirense e certamente de todo Cariri, assim como do Ceará e de várias partes do país, de onde acorrem levas de romeiro para todo ano visitar a terra em que viveu aquele que lhes socorre nos momentos de aflição.

A proposta da mudança do nome vai muito além do aspecto meramente religioso, embora este seja preponderante, pois foram as romarias e o misticismo de nosso povo que fizeram o progresso de Juazeiro, uma terra abençoada.

O aspecto turístico é que mais se destaca. Para quem não conhece nosso Juazeiro, demora a identificar apenas pela toponímia de Juazeiro do Norte. A cidade passou a se chamar assim para se diferenciar de outra Juazeiro, a cidade baiana que fica às margens do Rio São Francisco.

Mas do norte não qualifica direito. Primeiro, que nossa região não é o Norte, mas Nordeste. Segundo, porque Juazeiro fica na região sul do Ceará. Portanto, Juazeiro do Norte não diz tudo. É uma tradição dos tempos em que se dividia o país em apenas duas regiões: o Norte e o Sul.

Por outro lado, ao denominarmos a cidade de Juazeiro do Padre Cícero, a identificação é imediata, sem deixar dúvida sobre qual cidade estaríamos nos referindo. Além do mais, se nós ainda chamamos Juazeiro do Norte, o epíteto de Juazeiro de Padre Cícero já caiu na boca dos romeiros, que só se referem à cidade como a terra de seu Padim.

Os primeiros passos para mudança do nome da cidade já foram dados, mas se estacaram. Desde 2001, numa iniciativa do então deputado Giovanni Sampaio, a Assembleia Legislativa aprovou a realização do plebiscito para consultar a população sobre a mudança no nome.

O empresário Tadeu Alencar, natural de Araripe e residente em Juazeiro há 30 anos, está à frente de um dos movimentos para mudança do nome. Ele e sua esposa, Luiziane Alencar, responsáveis pela ONG Anjos Solidários, estão mobilizando a comunidade a favor do movimento, que até já tem música tema, composta pelo cantor e compositor de sucesso, o juazeirense Luis Fidélis.

No próximo ano, Juazeiro completa 100 anos. E o melhor presente para a cidade é mudar seu nome para Juazeiro do Padre Cícero, como já é chamado por seus devotos que anualmente fazem peregrinação à meca caririense.

Conforme o casal de empresários Tadeu e Luiziane Alencar, o período das próximas eleições é propício para realizar a consulta popular. Para evitar mais gastos, no mesmo dia das eleições, o juazeirense seria convidado a opinar sobre o novo nome da cidade.

E agora que se vislumbra a possibilidade de reabilitação, beatificação e canonização de padre Cícero, faz-se ainda mais premente a mudança. Com sua reabilitação pelo Vaticano, a repercussão será enorme, até mesmo mundial. Associar seu nome a padre Cícero só trará benefícios a Juazeiro.

Mesmo os que não têm religião ou professam outra fé não se devem sentir incomodados com esse movimento. Antes de religioso, padre Cícero foi um grande político na verdadeira acepção da palavra, fundador da cidade e responsável por seu desenvolvimento. Só por isso, já mereceria a homenagem. Se bem que, a meu ver, com a mudança do nome, quem é homenageada é a cidade de Juazeiro do Padre Cícero.

Professor Teodoro - Deputado estadual

Um comentário:

SOS DIREITOS HUMANOS disse...

DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA...



"As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
têm direito inalienável à Verdade, Memória,
História e Justiça!" Otoniel Ajala Dourado



O MASSACRE APAGADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA


No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi o MASSACRE praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato "JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA", paraibano de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.



O CRIME DE LESA HUMANIDADE


O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.


A AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELA SOS DIREITOS HUMANOS


Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é considerado IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, por isto a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos



A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO


A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.



AS RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5


A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;



A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA


A SOS DIREITOS HUMANOS, igualmente aos familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.


QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA


A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes do "GEOPARK ARARIPE" mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?



A COMISSÃO DA VERDADE


A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e que o internauta divulgue a notícia em seu blog/site, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.


Paz e Solidariedade,



Dr. Otoniel Ajala Dourado
OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
www.sosdireitoshumanos.org.br
sosdireitoshumanos@ig.com.br