sábado, 17 de maio de 2008

Significado do Tabuleiro de DINHA


O significado da presença e a ausência de Dinha:
Toda vez que chego à Salvador existem lugares que não posso deixar de ir, pelas relações de sentimento como por exemplo, a casa da minha avó, a casa da minha irmã, Igreja do Bonfim é claro, para receber as bênçãos do senhor do Bonfim. São vários os lugares e entre eles está a Praça do Rio Vermelho, onde encontra-se o tabuleiro de acarajé de Dinha.
Os baianos que convivem diariamente com muitos tabuleiros de baianas, espalhados em toda Cidade, talvez não percebam a importância de cada um deles. Existe uma afirmação clássica no Turismo: para conhecer sua cultura você precisa sair dela. E é a mais pura verdade. Ninguém vai sentir falta do acarajé se todos dia você tem ele.
Vejamos o que acontece em quase todos os lugares:
A globalização se expressa deixando os lugares iguais, com os mesmo hábitos. A televisão, os computadores, escravizam e enclausuram as pessoas, e para completar o quadro existem os Shopping’s Center’s, com suas iluminadas praças de alimentação, que não precisa ser um expert para ver claramente que todas são similares, com espaços demarcados por restaurantes e lanchonetes, estimulando o individualismo, onde as pessoas chegam, escolhem o local, fazem o pedido, comem e vão embora, muitas vezes para voltar para a Tv e o computador. Quando não pedem comida em casa ou comprem os alimentos industrializados.
Agora vamos retornar aos tabuleiros da baianas, e em especial ao de Dinha, que consegue agregar.
O acarajé mesmo sendo o protagonista do espaço, muitas vezes sai de cena, e o espaço é utlizado para a contemplação da paisagem do mar do Rio Vermelho, ao encontro com as pessoas, à conversa do dia a dia.
O tabuleiro de acarajé de Dinha, não se restringe à venda de acarajé, ele traz hábitos antigos, traz de volta o hábito da Praça, um universo que une as pessoas, estimula uma relação saudável com a cidade, porque resgata a importância das relações sociais.
Dinha é um marco, um ponto turístico e do cotidiano, o seu falecimento não pode se configurar na sua ausência, de maneira nenhuma, que seus descendentes continuem com que ela fazia de melhor além do acarajé, que é representar tão bem a identidade cultural da Bahia através do seu tabuleiro.
Para finalizar, umas das coisas que sinto mais falta aqui em Fortaleza são os encontros final da tarde no “acarajé de Dinha”.
Eliane

Um comentário:

Alex Curvello disse...

Minha mãe escreveu tudo. Vai fazer uma falta danada, tomara que não acabe o acarajé da Pracinha do Rio Vermelho, quando chego em salvador vou logo lá com minha mãe.
Alex Curvello