domingo, 17 de janeiro de 2010

Tio João Curvello





"Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!"
Existem pessoas assim que andam pelo mundo, pela vida, percebendo tudo, o colorido, o preto e o branco. E conseguem colorir o preto e branco.
Desafio algum leitor que tenha tido alguém próximo - um amigo ou parente - que tenha "morrido gloriosamente ouvindo Gal Costa".
Um momento preto e branco total que foi transformado em ápice. Colorido pela musicalidade de Gal Costa. Para tal transformação precisa ser uma pessoa que saiba conviver com opostos, que consiga ir do abará da esquina do Pelourinho para o melhor salão do Copacabana Palace.
Que saiba distinguir perfeitamente um charme internacional do charme provinciano. Vejam que o charme está presente nas duas situações.
Estou falando do meu tio João Curvello. Ele é essa pessoa. Um cidadão do mundo, mas principalmente da vida. As coisas não passam por ele. Ele sim passa profundamente por todas as coisas.
E Rick, seu amigo, morreu no leito de um hospital nos EUA gloriosamente ouvindo Gal Costa!
Tio João trabalhou a vida inteira no Consulado Americano. Esse fato da sua vida aliado a sua sensibilidade e curiosidade lhe deram o privilégio de viver e conhecer pessoas, lugares e coisas inimagináveis.
Uma das melhores coisas que mais fiz nessa minha última viagem à Salvador, foi a noite sentar-me ao lado de tio João, na varanda da sua casa praia em Jauá - uma das praias mais bonitas da linha verde - para ouvir seus relatos. Gostava tanto de ouvir que sentava-me com caneta e bloquinho na mão.
É um desperdício não registrar fatos deliciosos. E ele consegue narrar de uma maneira que vivemos e podemos visualizar a situação facilmente.
Confesso que está sendo difícil sintetizar tantos fatos, mas vou tentar aqui colocar alguns extraordinários.
Como um de uma criada negra de uma grande amiga sua. A sua patroa lhe vestia com as melhores sedas, com pulseiras e colares de marfim. Sua amiga frequentava as altas rodas, e sempre ia acompanhada da sua criada, a qual apresentava como uma autoridade da Costa do Marfim. E assim a criada era tratada: como uma autoridade.
Outra amiga tomava banho de banheira com 3 vidros do perfume Caleche derramados na água. A primeira vez que ele foi num bordel entre os seus amigos estava Glauber Rocha, e todos assistiram pela primeira vez duas mulheres se amando.
Conheceu viúvas na Bahia que usavam "chorão", um véu preto que cobria o rosto, mas isso não as impediam de serem namoradeiras. Frequentou os melhores bailes de carnavais de Salvador, no Baiano de Tênis e na Associação Atlética.
Tio João ganhou de presente de meu avô a primeira bicicleta de marcha da Bahia, e fez a façanha de subir a ladeira da Barra de uma só vez!
São muitas as histórias de tio João. Mas, ele mesmo se definiu da melhor maneira: "é samba de uma nota só".
É único e inigualável.


5 comentários:

Bete disse...

O Tio João é glamour.

Mara Velasco disse...

É mesmo, João é uma figura! Um senhor de fino trato,educado, elegante, delicado, um doce de pessoa. Sempre me da muito prazer encontar e conversar com João, ele é mais um presente que o meu encontro de vida com Eliane, me proporcionou. Bravo, João!

Renata Cazaes Andrade disse...

Tio João uma jóia rara de se ver. Uma ótima pessoa sendo sempre amigo, alegre e comunicativo.
É uma dádiva tê-lo conhecido e fazer parte da minha história.
Sem falar na família dos Curvellos que é show. Lica você tem muito que relatar referente a está grande e encantadora família.
Amo todos vocês Curvellos!

irene disse...

Ah Johnny, meu querido amigo desde que eu tinha 16 anos (a long time ago)Uma amizade tao longa e um presente de Deus! Que sempre continue do mesmo jeito. Um beijo grande, Irene

Anônimo disse...

meu msn it.sanchez@hotmail.com